Orbera™ é alternativa para prevenção da obesidade

outubro 6, 2011

  • Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para pessoas com índice de massa corpórea (IMC) acima de 27 kg/m2, Orbera é um método não cirúrgico, que oferece aos pacientes obesos a possibilidade de perda de 12% do peso inicial1;
  • Inserido em um programa multidisciplinar coordenado por médicos, nutricionista, psicólogo e preparador físico, o sistema tem como objetivo a manutenção dos resultados obtidos no longo prazo;
  • Acompanhamento após um ano da retirada do balão apontou que os pacientes conseguiram manter mais de 90% da sua perda de peso (redução do IMC)2

São Paulo, outubro de 2011 - Mais do que comprometer de forma importante a autoestima, o excesso de peso é apontado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um dos fatores para o desenvolvimento de distúrbios cardiovasculares, pressão alta, colesterol elevado, diabetes, alguns tipos de câncer (mama, endométrio e cólon), entre outros. Ao contrário do que as pessoas pensam, de acordo com a OMS, o risco de problemas de saúde começa quando se está ligeiramente acima do peso, e aumenta na medida que o IMC se torna maior.

Considerando que mais de 40% da população brasileira está na faixa do sobrepeso ou da obesidade, de acordo com a Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), torna-se cada vez mais importante o oferecimento de novas ferramentas para o combate deste mal de nível epidêmico.

Para o cirurgião membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Dr. José Afonso Sallet, o problema ganha proporções cada vez mais elevadas em virtude não apenas da imposição da vida moderna a hábitos cada vez menos saudáveis, mas pela dificuldade que os indivíduos tem de aderir – em longo prazo – a práticas regulares de controle do peso. “A estatística da população que tenta, mais de uma vez, seguir um programa individual para a perda de peso é de mais de 80% de insucesso. Por isso, a pessoa com sobrepeso necessita de estímulo real e acompanhamento efetivamente multidisciplinar por longo período”, relata o especialista.

Desta forma, o Orbera™ visa atender a população com sobrepeso, que não responde ao tratamento medicamentoso e de dietas restritivas, que não quer se submeter a um procedimento cirúrgico e seus riscos, ou não atinge a faixa de peso indicada para a cirurgia bariátrica, por exemplo. Dados mostram que, em 40,8% dos pacientes com IMC menor que 35, houve uma melhora nas comorbidades clínicas.1

Como funciona o balão – o dispositivo Orbera™ é inserido vazio no estômago do paciente através de endoscopia, em ambiente hospitalar ou clínico, sob sedação. O balão então é preenchido com soro e azul de metileno (estéreis na quantidade de 400 a 700ml), tendo todo o procedimento duração média de 20 minutos.

Dentro do estômago, o Orbera™ proporciona a sensação de saciedade, tanto pelo volume ocupado como pela localização em que é posicionado. Sua permanência no estômago é de até seis meses, tempo em que o paciente perde, em média 12% do peso inicial.[1] Caso o nível de obesidade do paciente seja muito elevado, ele pode inserir um novo balão no intervalo de um mês após a retirada do primeiro.

Aprovado também no Canadá, na Austrália e na Espanha, o Orbera™ vem sendo apontado como uma importante opção para o tratamento do sobrepeso e da obesidade, por ser um método reversível e com alto índice de segurança e sucesso.1

Um estudo brasileiro de autoria de Dr. José Afonso Sallet, publicado na revista Obesity Surgery, feito com 573 pacientes portadores de sobrepeso, mostrou que após seis meses de tratamento com o dispositivo, os pacientes apresentaram 48% de perda do excesso de peso inicial e uma redução de 5,3 nos índices de massa corpórea. Nele, os pacientes seguiram também um plano alimentar de 1.000 kcal/dia e acompanhamento multidisciplinar com preparadores físicos, nutricionistas, endocrinologistas, psicólogos e psiquiatras. Na avaliação, 85% dos pacientes apresentaram bons resultados e apenas 15% insucesso. Após um e dois anos da retirada do balão, os pacientes apresentaram quatro a cinco vezes melhores resultados quando comparados aos pacientes em tratamento clínico conservador clássico.2

“É mais uma opção, um meio menos invasivo e não medicamentoso, o que é muito importante, uma vez que há pacientes que não se adaptam a tratamento clínico medicamentoso, ou não estão aptos, ou dispostos a se submeter a cirurgia bariátrica”, comenta a endocrinologista do Departamento de Clínica Médica, da Faculdade Medicina da Universidade de São Paulo, Dra. Kátia Seidenberger. “Outro ponto interessante é que a técnica não prejudica a absorção de nutrientes pelo organismo. Para evitar deficiências vitamínicas após a maioria das modalidades de cirurgia bariátrica, é  necessária suplementação vitamínica, como por exemplo:  ferro, cálcio, vitamina B12, ácido fólico e vitamina D, no pós operatório”, afirma a médica.

A chave do sucesso do Orbera™, segundo os especialistas, está na sua integração a um sistema de multidisciplinaridade, em que o paciente é intensamente trabalhado física e mentalmente para uma mudança definitiva dos seus hábitos de vida, sem prejudicar a absorção dos nutrientes pelo organismo, ao contrário dos procedimentos cirúrgicos.

“É o sistema em que ele está integrado que faz com que a perda de peso não seja apenas momentânea, mas que mude todos os padrões de atividade e pensamentos do paciente para um novo estilo de vida”, completa Dr. Sallet.

A partir de 11 de outubro, entra no ar o site www.sistemaorbera.com.br, onde os pacientes encontrarão um programa completo de reeducação alimentar, exercícios físicos, informações sobre comportamento e life style, para ajudá-los a atingir seus objetivos.

Contra indicações o balão intragástrico não é indicado para indivíduos que não desejam participar de programas de reeducação comportamental, alimentar e executar exercícios físicos regularmente; portadores de doenças gástricas; indivíduos que se submeteram anteriormente a cirurgias abdominais e gástricas; anormalidades estruturais no esôfago ou faringe; condições médicas que podem aumentar o risco de endoscopia digestiva; desordens psiquiátricas anteriores ou atuais; pacientes grávidas ou amamentando e pessoas com vício a drogas de qualquer espécie.

Dentre os efeitos colaterais, podemos citar náuseas, vômitos e/ou dor abdominal (imediatos), gases e flatulência, causados pela inserção de um “corpo estranho” no organismo, mas que são manejados pelo médico em curto tempo – de três dias a uma semana.

O que é IMC – índice de massa corpórea

É a medida mais freqüentemente utilizada para classificar sobrepeso e obesidade, definidos como acúmulo excessivo ou anormal de gordura que podem prejudicar a saúde. O cálculo é feito da seguinte forma: o peso da pessoa em quilogramas, dividido pelo quadrado da altura do indivíduo (kg/m2).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define que, adultos com:

  • IMC maior ou igual a 25 estão com sobrepeso
  • IMC maior ou igual a 30 estão obesas

Fontes para entrevista:

Dr. José Afonso Sallet

MD em Cirurgia do Aparelho Digestivo pela UNICAMP – SP | Especialista em Cirurgia Laparoscópica pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) | Membro da Federação Internacional para a Cirurgia da Obesidade (IFSO) | Coordenador do Protocolo de Balão Intragástrico pelo Ministério da Saúde | Membro da Sociedade Americana de Cirurgia e Endoscopia (SAGES) | Diretor do Instituto de Medicina Sallet (Departamento de Cirurgia Bariátrica e Metabólica).

Dra Kátia Seidenberger

Graduação Médica e Residências de Clínica Médica e Endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP| Especialista em Clínica Médica Geral pela SBCM (Sociedade Brasileira de Clínica Médica) |Especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia)|Doutorado pela Unidade de Tireóide, da Disciplina de Endocrinologia, da Faculdade de Medicina USP | Membro do American Thyroid Association (ATA) |Membro do Endocrine Society.

Margaretth Arruda

Especialista em obesidade | Membro da Comissão das Especialidades Médicas Associadas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (COESAS) | Pós-graduada em Nutrição Clínica e Humana | Nutricionista e Gestora Geral do Instituto de Medicina Sallet.

Marilice Rubbo de Carvalho

Psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) | pós-graduada em Transtorno Alimentares pela Escola Paulista de Medicina | pós-graduada em nutrição pelo Hospital Albert Einstein | especialista em Comportamento Cognitivo pela USP.

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